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Em Moçambique foi inaugurado em 1955 um hotel de luxo que aspirava a ser o maior de África. O filme “Grande Hotel”  evoca a história trágica do espantoso edifício, emblema do passado e do presente da cidade da Beira. Tendo como fio condutor o hotel, o documentário acaba por ser um retrato da cidade da Beira, das diferentes vivências e culturas que nela coabitam.

Anabela Saint-Maurice
Anabela Saint-Maurice é portuguesa nascida em Angola em 1959. Há vários anos que se dedica à realização de documentários na RTP – Rádio Televisão Portuguesa.

Maputo, 13 de Setembro – O maior festival de cinema moçambicano arranca amanhã, em Maputo, contando com a presença do ministro da Cultura, Armando Artur, que irá presidir a cerimónia de abertura do 7.º Dockanema.

A partir de amanhã, e durante 10 dias, a capital moçambicana será o palco mundial do cinema documentário, com o início da 7.ª edição ininterrupta do Dockanema, Festival do Filme Documentário, que tem como filme de abertura a ante-estreia mundial do documentário Vovós da Guerrilha, Como viver neste mundo, da realizadora holandesa Ike Bertels.

Agendada para as 19 horas, a cerimónia de abertura do evento, que se irá desenrolar no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, será presidida pelo ministro da Cultura de Moçambique, Armando Artur.

Igualmente presente na sessão estará Ike Bertels, que irá apresentar pela primeira vez o filme Vóvos da Guerrilha, uma longa-metragem que tem como protagonistas três mulheres moçambicanas que participaram na Luta Armada de Libertação Nacional.

Numa verdadeira odisseia, que percorre a história de Moçambique desde o seu período de independência, até à actualidade, o filme de Ike Bertels encerra uma trilogia iniciada em 1984, com Mulheres da Guerra, e continuada em 1994, com o documentário Pensão de Guerrilha.

O testemunho de Mónica, Maria e Amélia, as três protagonistas da trilogia, representa um património audiovisual único, que estabelece uma ponte para realidade histórica e social de Moçambique das últimas quatro décadas.

Repleto de imagens e declarações apaixonantes, o filme Vovós da Guerrilha promete captar a atenção e a simpatia do público moçambicano, que, ao longo do festival, poderá tomar contacto com a trilogia completa da autora, através do Ciclo Ike Bertels.

Este é o primeiro ano que Pedro Pimenta, fundador e curador do Dockanema, não está envolvido directamente na produção executiva do festival. Esta função está a cargo da Cine Internacional, uma empresa moçambicana especializada em produções cinematográficas, com experiência de produção em vários países do continente africano.

A empresa assumiu a produção executiva do Dockanema com o objectivo de dar continuidade ao trabalho profissional que foi conduzido, anteriormente, por Pedro Pimenta. Este ano, Pimenta assumiu as funções de direcção artística e curadoria dos filmes e temáticas, enquanto a produção e organização do festival ficou sob a alçada da Cine Internacional.

Presente no mercado moçambicano há cinco anos, a empresa conta no seu portefólio, não apenas trabalhos realizados em Moçambique, mas também em todo o continente africano.

Uma parceria estabelecida com uma emissora de TV para formar uma equipa qualificada de profissionais moçambicanos foi o mote para o início da actividade da produtora. Assim, montou-se uma equipa de 25 profissionais brasileiros e mais de 100 moçambicanos. Desta troca de experiências, resultou a criação da mini-série “N’Txuva – Vidas em Jogo”, a primeira telenovela produzida em Moçambique. Actualmente, a empresa está a produzir uma série televisiva que contará a vida de 15 presidentes africanos.

Com uma programação de mais oito dezenas de filmes, entre curtas e longas-metragens, que serão exibidas no Centro Cultural Franco-Moçambicano,  no Centro Cultural Brasil-Moçambique, no Teatro Avenida e na Faculdade de Letras e Ciências Sociais, o Festival Dockanema decorre até ao dia 23 de Setembro, em Maputo.

Gab. Imprensa / 7.ºDockanema – Festival do Filme Documentário

Contacto/Informações:

Benilde Matsinhe

E-mail: benilde.matsinhe@cinevideo.co.mz

CEL: 00258 84 951 9659

“Foi o Ruy Guerra que me trouxe para Moçambique. Eu havia escrito um livro sobre a guerra da independência na Guiné Bissau, e o Ruy convidou-me a vir para cá, com o objectivo de recolher histórias da guerra em Moçambique. Cheguei em 1978 e logo fui para Mueda, onde já estava Camilo de Sousa. A minha recolha foi usada para vários fins, nomeadamente como uma das bases do filme Tempo dos Leopardos. Cheguei a Moçambique, pela mão do Ruy, como jornalista e escritor. E fui ficando como cineasta”, recorda Licínio Azevedo.

“O Ruy tem uma característica fundamental: é insatisfeito. Mas não pessimista. Pelo contrário, está sempre em busca de novas ideias, de novas imagens. Tem uma capacidade de renovação muito grande. Nós conhecemo-nos em 1981 quando eu era ministro da Informação. Já sabia muito sobre ele na altura, do trabalho que ele tinha feito em Paris e no Brasil. E a minha opinião foi confirmada quando o conheci, sobretudo pela sua humildade. O Ruy veio para Moçambique não para dirigir o cinema, mas para fazer parte do cinema moçambicano”, conta José Luís Cabaço.

As histórias de vida que envolvem Ruy Guerra em Moçambique são numerosas. Agora de volta ao país que o viu nascer, não há como não recordar a importância que teve no cinema nacional. E o Dockanema presta-lhe a devida homenagem.

Ruy Guerra nasceu na actual cidade de Maputo em 1931. Na sua juventude, em Moçambique, foi activista contra o colonialismo e o racismo, o que lhe valeu problemas com as autoridades. Os seus pais resolveram enviá-lo para Portugal onde foi preso, por motivos políticos, à sua chegada.

Seguiu depois para Paris. Estudou no IDHEC (Institute des Hautes Ètudes Cinématographiques) tendo-se formado em 1954. Participou nos anos efervescentes da Nouvelle Vague do cinema francês e, em 1958, seguiu para o Brasil onde se fixou.

Com a independência do seu país natal, Ruy Guerra ofereceu-se para colaborar na criação de uma cinematografia moçambicana, realizando obra importante na formação de jovens cineastas e na criação de uma rede popular de distribuição e exibição.

Em apoio à produção cinematográfica nacional, criou a Kanemo. Pela sua mão, importantes figuras do cinema internacional participaram, no quadro do Instituo Nacional de Cinema, na formação de operadores de câmara, técnicos de som, roteiristas, produtores e realizadores do nosso país.

Representando a cinematografia brasileira, Ruy Guerra ganhou por duas vezes o Urso de Prata do Festival de Berlim. O primeiro em 1964, com Os Fuzis, e o segundo em 1977, com A Queda.

Tem vários outros prémios e reconhecimentos internacionais. Filmou em França, no Brasil, em Espanha, em Cuba, no México, em Portugal e em Moçambique. No cinema, antes de ser um realizador consagrado, foi câmara, fotógrafo, actor numa dezena de filmes, roteirista e documentarista.

Consagrado como um dos fundadores do Novo Cinema Brasileiro, leccionou em várias Universidades e Escolas de Cinema. Escreveu e dirigiu obras teatrais, foi o autor de letras de canções que obtiveram o maior sucesso e produziu espectáculos com os maiores nomes da música popular brasileira. É poeta, escritor e jornalista, tendo mantido durante anos uma crónica semanal no jornal carioca O Globo.

A presença de Ruy Guerra num festival de cinema documental é de grande importância, não apenas pelo trabalho que ele desenvolveu, em especial em Moçambique, na produção de documentários, mas também porque toda a sua produção artística está marcada por uma íntima relação entre realidade e ficção.

“A minha tendência”, disse o autor numa entrevista em 2000 a Cadernos de Cinema, “ é pegar a realidade como um aspecto ficcional”. Ele vê “a ficção como um documentário ou o documentário como ficção”, porque, “a partir do nosso mundo simbólico a realidade já é ficcionada. A nossa representaçâo do mundo, a maneira como a gente o recebe através dos sentidos, já é uma ficção”.

Os seus dois filmes mais premiados, Os Fuzis e A Queda, são provavelmente os momentos mais conseguidos desta sua visão do cinema.

É este o filho da terra que o Dockanema se propõe celebrar no decurso do Festival do corrente ano. Pretende-se render homenagem ao Artista de projecção mundial e ao Homem que não esqueceu o próprio país nos anos da reconstrução nacional. Ao mesmo tempo, o Dockanema quer trazer às novas gerações um pouco da história da génese do nosso cinema e do contributo dado pelos profissionais brasileiros que então se puseram ao serviço do nosso país, preparando os jovens de então.

Trazer Ruy Guerra e alguns exemplos da sua obra, ouvi-lo, retomar o diálogo, colocar a sua experiência à disposição das novas gerações do nosso cinema, são alguns dos objectivos complementares desta iniciativa do Festival Dockanema.

Com a presença deste grande autor do cinema brasileiro e internacional, moçambicano de naturalidade, a organização está certa de prestar uma valiosa contribuição à cultura em Moçambique e ao aprofundamento, também no plano cultural, das relações entre o nosso país e o Brasil.

Assim, no dia 10 de Setembro, será apresentado o filme Os Fuzis, pelas 19.30, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, seguido de um cocktail nos restaurante/ bar Kampfumo, na estação dos Caminhos de Ferro, onde se cantarão músicas de Chico Buarque, com letra de Ruy Guerra.

 No dia 15, pelas 18 horas, realizar-se-á uma palestra dirigida por Ruy Guerra, no Centro Cultural Brasil – Moçambique, onde o cineasta aproveitará para falar sobre a sua experiência e a sua história, nomeadamente em Moçambique.

Po fim, no dia 17, pelas 18 horas, igualmente no Centro Cultural Brasil –Moçambique, , será apresentado A Queda.

Mundialito é um campeonato de futebol jogado pelos campeões do mundo, numa sociedade de terceiro mundo que vive sob uma ditadura; narrada por quem viveu nela. Este filme traz à tona questões inadiáveis sobre a nossa idiossincrasia, a nossa moral, os nossos valores e as nossas esperanças. Qual foi a atitude da comunidade internacional? Como é que a sociedade do Uruguai reagiu? Qual foi a experiência dos actores sociais, políticos e desportivos? Para as forças armadas: o que é que significou? O que aconteceu um dia após o Uruguai vencer a Copa? Este é apenas o começo…

Mundialito is a football championship played by the world champions in a third world society living under a dictatorship; narrated by those who lived it. This film brings up undelayable questions about our idiossincrasy, our moral, our values, and our hopes. Which was the international community attitude? How did the Uruguayan society react? What was the experience of the social, political and sport actors? For the military forces: what did it mean? What happened the day after Uruguay won the cup? This is just the beginning…

Sebastián Bednarik, Uruguai, 2009, 75’

Este filme estará na mostra do 6ºDOCKANEMA

CCBM, 18 h

À Espera no Quintal

Emídio Josine, Moçambique/Brasil, 2010, 15’ 

O documentário retrata as tristes e alegres recordações de 3 idosos que esperam ainda que alguma coisa aconteça nas suas vidas apesar de o tempo já não lhes permitir. Alguns esperam a morte, outros serem felizes e outros nada esperam. Inspirado do conto “Inimigos no Quintal” do escritor  Luis Ruffato.

This documentary portrays the sad and the happy memories of old people who are still waiting for something to happen in their lives, even though time is against them. Some are waiting for death, some for happiness and others are waiting for nothing in particular. Inspired by the story “Enemies in the Garden” by the writer Luis Ruffato.

Acácio

Marília Rocha, Brasil, 2009, 88’

 Entre 1918 e 2008, Acácio Videira e Maria da Conceição dividiram a vida entre Portugal, Angola e Brasil. O filme combina imagens do presente com o acervo produzido por Videira no passado, interligando os três países e refletindo sobre as relações coloniais, a guerra, a memória.

Between 1918 and 2008, Acácio Videira and Maria da Conceição shared their lives between Portugal, Angola and Brazil. The film combines images from the present with Videira’s films and photographs of the past, creating a space between what is seen and what was lived, remembered and forgotten. The couple’s personal history becomes a reflection on colonial relations, war, and memory.

CCBM, 20 h

Chico Buarque o futebol

Roberto Oliveira, Brasil, 2006, 125’

A paixão de Chico Buarque pelo futebol só tem como rival sua ligação com a música, e às vezes leva vantagem. O filme mostra o artista jogando futebol nas cidades de Santos, Rio, Lisboa, Barcelona, Paris e Budapeste e exibe ainda uma selecção de jogadas e golos memoráveis de craques como Pélé, Garrincha, Ronaldo e Ronaldinho.

Chico Buarque’s passion for football is rivalled only by his bond with music and sometimes it is the stronger.This film shows the artist playing football in the cities of Santos, Rio, Lisbon, Barcelona, Paris and Budapest and also displays a series of memorable moments and goals by stars such as Pélé, Garrincha, Ronaldo and Ronaldinho.

 TEATRO AVENIDA, 16 h

Maputo Dancing Dump

Marco Pasquini, Itália/Portugal, 2010, 52’

Na periferia de Maputo, o Bairro do Hulene é a maior lixeira da cidade. Setecentas famílias vasculham no meio do lixo todos os dias. Mas a lixeira, um mundo de degradação e luta contínua pela sobrevivência, é o mesmo espaço no qual grupos de dança hip-hop foram criados. Música e ritmos das comunidades Afro-Americanas, juntamente com agilidade e auto-ironia espontânea, tornam qualquer ocasião num verdadeiro espectáculo. Suares é um bailarino experiente: é ele que ensaia as crianças e que nos apresenta aos restantes rapazes da Lixeira, enquanto treina um sem número de expressões faciais e passos de dança. Um microcosmos feito de relações sociais e económicas, paixões e pequenas guerras, amizades intensas e arrufos repentinos. Histórias e esperanças diárias que nos fazem descobrir a verdadeira força vital deste lugar.

On the outskirts of Maputo, the Hulene district is the city’s largest garbage dump, “lixeira”. 700 families dig and collect in the trash every day. But the dumping ground, a world of degradation and continuous struggle for survival, is the space where groups of hip-hop dance were created. Music and rhythms taken from African-American communities, together with agility and spontaneous self-irony, turn any occasion into a show. Suares is an experienced dancer, he acts as a puppet, a robot or a proud warrior, while he pulls a neverending series of faces. A microcosm made of relationships, passions and small grudges, intense friendships and sudden brawls. Through the daily life of Suares, his stories, his hopes and his dancing steps, we uncover the deep vital strength of this place.

TEATRO AVENIDA, 18 h

Ciclo Joris Ivens

Le 17ème  Parallèle – La Guerre du Peuple, Joris Ivens, França, 1968, 113’

 TEATRO AVENIDA, 20 h

Imperium

Ingrid Vido, Polonia, 2009, 26’

Uma história sobre duas jovens – ucranianas que foram para Rzeszów (Polónia) e actuaram no palco do peculiar Hotel Império como dançarinas exóticas. Testemunhando o seu quotidiano, envolvemo-nos nas suas escolhas e sonhos. Apesar das suas experiências similares, as jovens raparigas possuem atitudes e planos distintos no que diz respeito ao futuro.~

A story about two young girls  from Ukraine who come to Rzeszów (Poland) and perform on stage of the peculiar Empire Hotel as exotic dancers. Witnessing their everyday life we become involved in their choices and dreams. Although their experiences are similar, the girls have totally different attitudes and plans for the future.

An American in Sophiatown

Earl Lloyd Ross , EUA/ Africa do Sul, 2007, 52’

(Produzido por Michael Rogosin)

An American in Sophiatown é um emocionante registo de como a explosiva historia “Come Back África” caracteriza um povo que vive a beira de um precipício. Relata ainda a impressionante história de como um homem, um estrangeiro americano tentou fazer a diferença indo para a negra capital sul-africana armado unicamente uma visão e camaras; como no seio do colapso moral de um sistema ele emergiu com uma das mais poderosas acusações contra o regime do apartheid que alguma vez foi feita.

“An American in Sophiatown” is itself as thrilling a record as the explosive story “Come Back Africa” tells of a people living on the edge of a precipice. It is also the gripping story of how one man, an American outsider who sought to make a difference, came to a black South African township armed only with cameras and a vision; how from the moral collapse of a system he emerged with the most powerful indictment of the apartheid regime that had ever been done.

CINEMA SCALA, 16 h

Frantz Fanon, une vie, un combat, une oeuvre

Cheikh Djemai, Argélia/Tunísia/ França, 2001, 52’

Este documentário descreve a vida de Frantz Fanon, um psiquiatra nascido na Martinica que se converteu num dos símbolos da luta anticolonial. Em 1952 escreveu Pele Negra, Máscaras Brancas, onde nos mostra como as vítimas do racismo acabam por interiorizá-lo. Ainda nos anos 50, ajuda os rebeldes da guerra anticolonial argelina. Foi expulso da Argélia em 1956, e mudou-se para Tunes, onde escreveu para o jornal rebelde El Moudjahid, fundou uma das primeiras clínicas psiquiátricas em África e escreveu vários livros sobre a descolonização. Acabou por morrer de leucemia em Washington, aos 36 anos.

The movie depicts Frantz Fanon’s life. A psychiatrist from Martinique, he became a spokesman for the anti-colonialist struggle. In 1952, Frantz Fanon wrote Black Skin, White Masks, an analysis of racism and the ways in which its victims internalize it. In the 50s, he aided the rebels of the Algerian anti-colonial war. Expelled from Algeria in 1956, he moved to Tunis where he wrote for the rebel newspaper El Moudjahid, founded one of Africa’s first psychiatric clinics and wrote several books on decolonization. He died from leukemia in Washington at the age of 36.

CINEMA SCALA, 18 h

Slam Video Maputo

Ella Raidel, Áustria/Moçambique, 2010, 28’

Artista e realizadora Ella Raidel participou do programa “Forget Africa”, uma série de filmes financiado pelo Festival de Roterdão IFFR 2010 e filmado por realizadores asiáticos e ocidentais, e foi enviada para Moçambique. Ella investigou o auto-retrato de Moçambique nos media onde a sua cultura popular reflecte a intersecção das culturas globais e locais. Conheceu poetas de rua, músicos hip-hop e visitou programas de televisão e rádio. Slam Vídeo Maputo é o making-off destas produções de vídeo. O filme presta tributo à alegre e contagiante cultura popular de Maputo.

Artist and video maker Ella Raidel was participating the ‘Forget Africa’ program, a series of films commissioned by the Rotterdam Festival IFFR 2010 and shot by Asian and Western filmmakers, and was sent to Mozambique. She investigated the self-image in media of Mozambique where its popular culture mirrors the intersection of global and local cultures. She met slam poets, hip-hop musicians and visited TV and radio shows. Slam Vídeo Maputo is the making-of these video productions. The film pays tribute to the cheerful and infectious popular culture of Maputo.

Kontinuasom

Óscar Martinez, Cabo-Verde/ Espanha, 2009, 80’

Beti é bailarina do grupo Raiz di Polon em Cabo-Verde. Desde Lisboa chega-lhe uma proposta para integrar um espetáculo de música caboverdiana e começar a sua carreira ali. Esta oferta desencadeia nela um sentimento profundo acerca do conflito caboverdiano: a identidade construída pela diáspora secular. As dúvidas, a saudade, o desenraizamento pairam sobre ela e a acompanham na sua tomada de decisão. O mesmo dilema de todo o caboverdiano: o desejo de partir, e desejo de voltar …. Expressado e reunido em torno da música, marca da identidade cultural do seu povo.

Beti is a dancer in the Raiz di Polon company in Cape Verde. She receives a offer from Lisbon to join a Cape Verde music show and start a new career there. The offer unchains the deep-set Cape Verde conflict in her: identity built on the Diaspora century after century. Doubts, nostalgia, uprooting, they all soar over her and accompany her decision. The same dilemma that surrounds all Cape Verdeans, the yearning to leave, the yearning to return… Expressed and brought together around music, hallmark of the people of Cape Verde.

 UEM, 14 h

Nos caminhos do Rei Salomão

Chico Carneiro, Brasil, 2010, 60’

Na Amazônia Paraense, norte do Brasil, os barcos são o principal meio de transporte da população ribeirinha. Mais de 50.000 barcos compõem a malha de transporte fluvial, grande parte deles dedicando-se ao transporte de passageiros. Este filme documenta a viagem de 36 horas do Navio-Motor “Rei Salomão”, que transporta passageiros e carga, entre as cidades de Belém e Anajás, na foz do Rio Amazonas. A música foi composta especialmente para o filme, por Allan Carvalho e Cincinatto Jr.

In the Amazonian State of Para in the north of Brazil, boats are the principal means of transport for people living along the banks of the rivers. The river transport fleet comprises over 50 thousand vessels, most of them used to carry passengers. This film documents the 36-hour journey of the motor vessel  – King Solomon”, which transports passengers and cargo between the cities of Belém and Anajás  in the mouth of the Amazon river. The  music was composed especially for the film by  Allan Carvalho and Cincinatto Jr.

 UEM, 16 h

Kinshasa symphony

Martin Baer, Claus Wischmann, Alemanha, 2010, 95’

O filme “Kinshasa Symphony” mostra como a população que vive numa das mais caóticas cidades do mundo, têm a capacidade de criar um dos mais complexos sistemas de cooperação humana alguma vez inventado: uma orquestra sinfónica. Um filme sobre o Congo, sobre a população de Kinshasa e sobre música.

The Film “Kinshasa Symphony” shows how people living in one of the most chaotic cities in the world have managed to forge one of the most complex systems of human cooperation ever invented: a symphony orchestra. It is a film about the Congo, about the people of Kinshasa and about music.

No âmbito da 5ª Edição do DOCKANEMA, o grupo musical TP50 ap­resenta hoje, dia 18 de Setembro, sábado, pelas 21h, no Centro Cultural Franco Moçambicano, o espectáculo “TP50 Toca e Canta Tom Jobim”. O grupo que desde o seu começo procura fazer uma ponte entre a universalidade da poesia da Bossa Nova e a realidade Moçambica­na, vai interpretar 19 temas do reportório de António Carlos Jobim, incluindo algumas das suas mais famosas músicas, como “Águas de Março”, “Garota de Ipanema”, “Luiza”, “Teresa da Praia”, “Wave”, entre outros.

CCBM, 18 h

Fragmentos de um Diário/Traces of a Diary

Marcos Martins e André Príncipe, Portugal, 2010, 90’

Um filme concebido como uma espécie de diário de viagem, um caderno de notas cinematográfico sobre o trabalho de alguns dos mais significativos fotógrafos japoneses contemporâneos. Através de uma série de encontros com os fotógrafos, os realizadores reflectem sobre a natureza do acto de fazer imagens e contar histórias, sobre o próprio processo diarístico.

Conceived as a sort of traveller’s diary, a film notebook on the work of some of the more relevant contemporary Japanese photographers. Throughout a series of meetings with the photographers, the directors reflect upon nature and on the act of making images and telling stories, on the diary process itself.

 CCBM, 20 h

 Videoarte Certas Dúvidas de William Kentridge

Um dos mais importantes criadores sul-africanos do período pós-apartheid, William Kentridge transita com fluidez entre vídeo, filme, desenho, escultura, instalação, teatro e ópera, produzindo uma combinação única de referências e técnicas. . “Certas Dúvidas de William Kentridge”,  acompanha o artista em Joanesburgo e em sua passagem pelo Brasil, registrando seu pensamento e seu processo de trabalho. Kentridge fala do impacto das contradições sociais sobre sua obra e dos personagens que surgem em animações feitas a partir de desenhos a carvão, num processo particular que consiste em apagar e refazer os traços em preto-e-branco.

CCBM, 18 h

 Fragmentos de um Diário/Traces of a Diary

Marcos Martins e André Príncipe, Portugal, 2010, 90’

Um filme concebido como uma espécie de diário de viagem, um caderno de notas cinematográfico sobre o trabalho de alguns dos mais significativos fotógrafos japoneses contemporâneos. Através de uma série de encontros com os fotógrafos, os realizadores reflectem sobre a natureza do acto de fazer imagens e contar histórias, sobre o próprio processo diarístico.

Conceived as a sort of traveller’s diary, a film notebook on the work of some of the more relevant contemporary Japanese photographers. Throughout a series of meetings with the photographers, the directors reflect upon nature and on the act of making images and telling stories, on the diary process itself.

 CCBM, 20 h

 Videoarte – Certas Dúvidas de William Kentridge

Um dos mais importantes criadores sul-africanos do período pós-apartheid, William Kentridge transita com fluidez entre vídeo, filme, desenho, escultura, instalação, teatro e ópera, produzindo uma combinação única de referências e técnicas. . “Certas Dúvidas de William Kentridge”,  acompanha o artista em Joanesburgo e em sua passagem pelo Brasil, registrando seu pensamento e seu processo de trabalho. Kentridge fala do impacto das contradições sociais sobre sua obra e dos personagens que surgem em animações feitas a partir de desenhos a carvão, num processo particular que consiste em apagar e refazer os traços em preto-e-branco.

 TEATRO AVENIDA, 16 h

Maciene

Isabel Noronha, Moçambique, 2009, 61’

Uma lenda antiga conta que numa pequena aldeia na província de Gaza,  habita um Povo com o especial talento de entrelaçar a beleza do mundo dos antepassados com a riqueza do mundo moderno. Por isso, em Maciene,  estes dois mundos habitam hoje ainda em amplo respeito e a Vida é tecida a cada dia em gestos que a projectam para Além do Sonho. Este Povo zela para que Maciene nunca deixe de ser, tal como reza a lenda, “o lugar onde Deus encontrou a Serenidade”.

An ancient legend tells that, in a small village in the Mozambican province of Gaza, lives a people with the special talent of interweaving the beauty of the world of the ancestors with the richness of the modern world. Thus in Maciene, these two worlds live together today still in mutual respect, and Life is woven every day in gestures that project it beyond the Dream. This people is striving so that Maciene will never cease to be, as the legend says, “the place where God found Serenity”.

 Salani

Isabel Noronha, Vivan Altman, Moçambique, 2010, 26’

Salani (adeus), retrata a vivência de três adolescentes moçambicanos de 11, 16 e 17 anos que, forçados pela sua familia ou na ilusãode encontrar melhores condições de vida, emigraram para a África do Sul.  Numa fluente mistura entre o documentário e a animação, este filme revela os contornos da utilização da “tradição“ por algumas famílias para encobrir a exploração das suas meninas, bem como os meandros do tráfico, exploração sexual e laboral, de que estes adolescentes pobres, ilegais e desprotegidos, se vêm facilmente reféns. 

Salani (farewell) portrays the lives of three Mozambican adolescents of 11, 16 and 17 years of age, who migrate to South Africa, either forced by their families or under the illusion they will find better living conditions. In a fluent mix of documentary and animation, this film reveals the knots that some families tie themselves into using “tradition” to mask the exploitation of their daughters, as well the twists and turns of the trafficking and sexual and labour exploitation by which these poor, illegal and defenceless adolescents are easily held hostage.    

TEATRO AVENIDA, 18 h

Mafalala Blues

Camila de Sousa, Moçambique, 2010, 8’

Este filme é sobre a busca por um lugar identitário. Entre madeira e zinco, entre o subúrbio e a cidade, entre bairro e nação, encontrei uma casa: lugar de memórias e histórias sobre o colonialismo, a luta de libertação e a tristeza do exílio. Nesta casa localizada no bairro da Mafalala encontram-se várias gerações dispersas no tempo. É a casa, metáfora deste lugar identitário, que me faz lembrar as histórias que não vivi, as histórias que o zinco um dia me contou.

This is a film about the search for identity in a place. Among the wood and corrugated iron, between the township and the city, between the neighbourhood and the nation, I found a house: a place of memories and stories about colonialism, the liberation struggle, sadness and exile.In this house, located in Mafalala Township, several generations are to be found spread over time. The house is a metaphor for this place of identity that reminds me of stories that I have not experienced, stories the corrugated iron recounted to me one day.

O gigante de papelão

Bárbara Tavares, Brasil, 2010, 11’

 O Gigante de Papelão é um documentário que conta a história da arte do artista plástico Sergio Cezar e seu poder de transformação. Sergio, também conhecido como o “Arquitecto do Papelão”, usa materiais descartados para retratar casas, favelas, e cidades inteiras. Seu trabalho propõe uma verdadeira reciclagem no olhar.

 Think BIG THINK small-scale is a short documentary about Sergio Cezar’s art and its power of transformation. Sergio is also known as “Cardboard Architect”. He uses micro-trash to recreate facades, slums and whole cities. His work is an invitation for recycling the way we look at things.

O lendário “Tio Liceu” e os Ngola Ritmos

Jorge António, Angola/Portugal, 2010, 52’

Este documentário percorre o universo criativo do Liceu Vieira Dias, pai da música popular angolana e fundador do grupo Ngola Ritmos, numa viagem de cruzamento do passado e do presente, desde o final dos anos 40 até aos nossos dias. O documentário confirma a originalidade e contribuição permanente que o ‘Tio Liceu’ oferece à história cultural, social e politica de Angola.

This documentary travels through the creative universe of Liceu Vieira Dias, the father of popular angolan music and the founder of the Ngola Ritmos, on a trip to the crossroads between the past and the present, between the forties and our days. The documentary serves to confirm “Tio Liceu’s” originality and constant contribution to the cultural, social and political history of Angola.

TEATRO AVENIDA, 20 h

Fantasia Lusitana

João Canijo, Portugal, 2010, 65’

Portugal viveu a Segunda Guerra Mundial dentro de um mundo de fantasia. Portugal era um paraíso de paz e tranquilidade, totalmente alheio a uma guerra que só dizia respeito aos outros. Construído exclusivamente a partir de imagens de arquivo, o documentário de João Canijo funda-se no contraste entre as imagens fantasistas da propaganda e os testemunhos escritos de refugiados célebres (Erika Mann, Alfred Döblin e Antoine de Saint-Exupéry, lidos pelos actores Hanna Schygulla, Rudiger Vogler e Christian Patey) de passagem por Lisboa, à espera do barco que os livre do nazismo.

Portugal went through the Second World War in a haze of illusion.  Portugal was a haven of calm and tranquillity  completely detached from the war that was entirely the concern of others. Built exclusively from archive footage, João Canijo’s documentary is based on the contrast between the fanciful propaganda images and the written testimony of well-known refugees (Erika Mann, Alfred Döblin and Antoine de Saint-Exupéry, read by the actors Hanna Schygulla, Rudiger Vogler and Christian Patey) passing through Lisbon to catch a ship to escape the Nazis.

CINEMA SCALA, 16 h

Afrique 50

René Vautier, França, 1950, 17’

 África 50 é o primeiro filme francês anticolonialista. O realizador, com apenas 21 anos, decidiu filmar a realidade: a falta de professores e médicos, os crimes cometidos pelo exército francês em nome do povo francês, a instrumentalização dos povos colonizados… O filme foi proibido durante mais de 40 anos e René Vautier foi aprisionado durante vários meses. 

Africa 50 is the first french anti-colonialist film. The director, who was only 21 years old, decided to film the truth: lack of teachers and doctors, the crimes commited by the French Army in the name of France, the instrumentalization of the colonized peoples…The film was forbidden during 40 years and René Vautier was incarcerated for several months.

Demain à Nanguila

Joris Ivens, Mali, 1960, 50’

Amanhã em Nanguila segue os passos de um jovem maliense para mostrar os danos do êxodo rural. O filme  questiona as decisões governamentais  depois da independência e sua intenção de deter a onda de imigração das pessoas para as cidades, para desenvolver o país pelo incentivo à agricultura. Um retrato de Mali nos anos 60 através da vida nocturna de Bamako, os monumentos da capital, as mulheres dobradas pelo peso das várias tarefas… 

Nanguila Tomorrow follows the steps of a young malian man, illustrating the detrimental effects of rural exodus. The film  questions the Government’s decisions after obtaining Independence in its attempt to put a stop to the wave of people immigrating to the cities and to develop the country based on agriculture. A portrait of Mali in the sixties by means of the nightlife in Bamako, the capital’s monuments, women bent under the weight of too many tasks…

CINEMA SCALA, 18 h

 Ceux de la colline

Berni Goldblat, Suiça, 2009, 72’

Em torno de uma mina de ouro improvisada sobre a colina de Diosso em Burkina Faso reuniram-se milhares de pessoas com um objectivo comum de fazer fortuna. Garimpeiros, dinamiteiros, comerciantes, prostitutas, crianças, curandeiros, cabeleireiros e marabouts compõem essa cidade efémera, construída à pressa, sobre as suas lutas diárias contra si mesmos e contra os outros. Apesar dos perigos e das desilusões, a corrida pelo ouro continua implacável, e parecem incapazes de abandonar este lugar fora do tempo.

A makeshift gold mine on the remote Diosso hillside in Burkina Faso has attracted a swarm of gold-diggers and dynamite blasters, healers and dealers, vendors and prostitutes, children, holy man and barbers. Living in a promiscuous closeness of a crowded and improvised town, these men and women are recklessly determined to find the gold that will change their lives. The film explores their desperate quest for fortune and elusive happiness. The gold rush is relentless.

UEM, 14 h

 Os 5 elementos

Madjer Rachid, Moçambique, 2009, 20’

O filme procura absorver o pensamento social de 5 elementos (mc, dj, b. boy, graffity, consciencialização) e contribuir para a compreensão social e política do sujeito periférico.

The film seeks to soak up the social thinking of the “Five Elements”(mc, dj, b. boy, grafitty, conciencialiação) and help others to understand the outskirts both socially and politically.

Maputo Dancing Dump

Marco Pasquini, Itália/Portugal, 2010, 52’

Na periferia de Maputo, o Bairro do Hulene é a maior lixeira da cidade. Setecentas famílias vasculham no meio do lixo todos os dias. Mas a lixeira, um mundo de degradação e luta contínua pela sobrevivência, é o mesmo espaço no qual grupos de dança hip-hop foram criados. Música e ritmos das comunidades Afro-Americanas, juntamente com agilidade e auto-ironia espontânea, tornam qualquer ocasião num verdadeiro espectáculo. Suares é um bailarino experiente: é ele que ensaia as crianças e que nos apresenta aos restantes rapazes da Lixeira, enquanto treina um sem número de expressões faciais e passos de dança. Um microcosmos feito de relações sociais e económicas, paixões e pequenas guerras, amizades intensas e arrufos repentinos. Histórias e esperanças diárias que nos fazem descobrir a verdadeira força vital deste lugar.

On the outskirts of Maputo, the Hulene district is the city’s largest garbage dump, “lixeira”. 700 families dig and collect in the trash every day. But the dumping ground, a world of degradation and continuous struggle for survival, is the space where groups of hip-hop dance were created. Music and rhythms taken from African-American communities, together with agility and spontaneous self-irony, turn any occasion into a show. Suares is an experienced dancer, he acts as a puppet, a robot or a proud warrior, while he pulls a neverending series of faces. A microcosm made of relationships, passions and small grudges, intense friendships and sudden brawls. Through the daily life of Suares, his stories, his hopes and his dancing steps, we uncover the deep vital strength of this place.

UEM, 16 h

 Acácio

Marília Rocha, Brasil, 2009, 88’

Entre 1918 e 2008, Acácio Videira e Maria da Conceição dividiram a vida entre Portugal, Angola e Brasil. O filme combina imagens do presente com o acervo produzido por Videira no passado, interligando os três países e refletindo sobre as relações coloniais, a guerra, a memória.

Between 1918 and 2008, Acácio Videira and Maria da Conceição shared their lives between Portugal, Angola and Brazil. The film combines images from the present with Videira’s films and photographs of the past, creating a space between what is seen and what was lived, remembered and forgotten. The couple’s personal history becomes a reflection on colonial relations, war, and memory.

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