Arquivos para categoria: FILME DE ABERTURA

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Nesta 7.ª edição, O Dockanema orgulha-se de apresentar como filme de abertura a ante-estreia mundial da longa-metragem Guerrilla Grannies – How to live in this world (Vovós da Guerrilha – Como viver neste mundo), da realizadora holandesa Ike Bertels. Ao longo das últimas quatro décadas, Bertels dirigiu em Moçambique quatro documentários, sendo esta a sua mais recente produção realizada no país. Como que numa espécie de “máquina do tempo” – as protagonistas do filme já participaram em dois outros documentários da realizadora (1984 e 1994) – em Vovós da Guerrilha, Bertels tece um retrato da vida diária de três mulheres muito especiais (Mónica, Amélia e Maria) e os seus descendentes. Esta é sobretudo uma história sobre a emancipação da mulher na sociedade moçambicana. Pelo seu carácter contemporâneo, mas também histórico, e pelo importante contributo da autora no retrato da sociedade moçambicana desde os primórdios da sua independência, o Dockanema presta a devida homenagem a Ike Bertels e a este filme, destacando-o, entre cerca de oito dezenas de títulos, como filme de abertura nesta sua 7.ª edição ininterrupta.
Paralelamente, o Dockanema apresenta ainda um ciclo de cinema dedicado a Ike Bertels, no qual será apresentada a trilogia que compõe a história de vida das três antigas gerrilheiras da FRELIMO.  (ver Ciclo Ike Bertels)
Durante 10 anos, três meninas de guerrilha arriscaram as suas vidas pela liberdade e autodeterminação, depois de 500 anos de colonialismo português. Sensibilizada pelas imagens de Mónica, Amélia e Maria – que anteriormente já tinham sido protagonistas em dois outros filme da realizadora sobre a luta de libertação de Moçambique – Ike Bertels foi procurá-las para filmá-las novamente, e mais uma vez as questionou sobre como os seus ideais de revolução moldaram a nova sociedade moçambicana. Hoje, as três vovós lutam com as novas gerações, descobrindo como é viver num mundo globalizado.

 

Ike Bertels
É uma realizadora e produtora de cinema formada na Brussels Filmschool (RITCS), em 1971. Desde então, tem vindo a produzir documentários no seu país natal e no estrangeiro. Fundou a IKE Bertels FILMPRODUCTIES / IBF, em 1985, uma produtora de cinema independente sedeada em Amesterdão, na Holanda.

 

Pedro Pimenta, o director do Dockanema vê anualmente entre 400 a 500 filmes por ano, para escolher menos de 80 para o festival, e um só para a abertura.

Este ano, o filme escolhido é a Nostalgia da Luz, Patricio Gúzman.

O documentário passa-se no Chile, mais precisamente no deserto de Atacama, onde dois elementos sobressaem: o céu e a terra.

O céu é tão límpido e transparente que serve de lupa para outros planetas procurados pelos astrónomos que ali se instalam, observando as estrelas. Em Atacama, está a esperança de outros mundos, outras vidas, outras culturas.
Na terra, está o passado. O deserto é de tal forma seco que conserva, intactos, os restos humanos das múmias antigas, dos intrépidos exploradores, dos mineiros e dos presos políticos da ditadura de Pinochet.

Escavando, mulheres procuram os seus parentes desaparecidos, os seus pais, maridos e filhos. É o fechar de um ciclo que procuram, uma conclusão a um sofrimento de longos anos. Também uma esperança de, ao enterrar os seus mortos, conseguir enfim fechar um quarto escuro a que não desejam regressar.

A Nostalgia da Luz é, por isso, um filme de esperança e de memória, de não esquecer o passado, mas sempre de olhos no céu, onde não há limites para o sonho.

Entre 1973 et 1979, Patricio Gúzman realizou o seu primeiro filme, A Batalha do Chile, uma trilogia sobre o governo de Salvador Allende e sua queda. Foi o início de um caminho de notoriedade. A revista americana Cineaste considerou-o «um dos dez melhores filmes políticos do mundo».
Após o golpe de Estado do Pinochet, Gúzman ficou encarcerado durante duas semanas no estádio nacional chileno, e ameaçado de morte.
Já em liberdade, instalou-se depois em Cuba, e mais tarde em Espanha e Franca, onde continua a sua carreira de realizador de documentários.
Entre 2006 e 2010, realizou a Nostalgia de la Luz e cinco curta-metragens sobre a astronomia e a memória histórica. Patricio Gúzman é também fundador e presidente do Festival Internacional do Documentario de Santiago do Chile.

Sobre o realizador chileno, diz Pedro Pimenta: “Os primeiros filmes do Patricio Gúzman foram mostrados em Moçambique logo após a independência, e ele é um dos raros realizadores cuja toda a obra cinematográfica foi projectada no nosso país. Tudo isso me remete à noção do documentário como memória de um povo, do fecho de um círculo, de onde estávamos quando começámos a vê-lo e a senti-lo, e onde estamos agora. Sobretudo do que sentíamos na altura e o que sentimos hoje”.

A Nostalgia da Luz é o filme de abertura da 6º edição do Dockanema, passando às 19.30 na sexta-feira, dia 9 de Setembro, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane. Será de novo apresentado no Sábado, dia 10, pelas 20 horas no Teatro Avenida.

No Chile, no deserto de Atacama, a transparência do céu e de tal ordem que ela permite a astrónomos do mundo inteiro de observar as estrelas ate aos confins do universo. E também um lugar onde a secura dos solos conserva intactos os restos humanos: das múmias, dos exploradores, dos mineiros e as ossadas dos presos políticos da ditadura. Os astrónomos escrutinam as galáxias a procura de uma possível vida extra terrestre. Aos pés dos observatórios, mulheres mexem nas pedras, a procura dos seus parentes desaparecidos….

Patricio Guzmán
Entre 1973 et 1979, Patricio Guzmán realiza A Batalha do Chile, uma trilogia sobre o governo de Salvador Allende e sua queda. A revista americana “Cineaste” “considera-o um dos dez melhores filmes políticos do mundo”. Após o golpe de Estado do Pinochet, ele fica encarcerado durante duas semanas no estádio nacional e ameaçado de execução. Instala-se depois em Cuba, e depois na Espanha e em Franca, onde ele continua sua carreira de documentarista. é Entre 2006 e 2010, ele desenvolve Nostalgia de la Luz e cinco curta metragens sobre a astronomia e a memoria histórica. Ele e fundador e presidente do Festival Internacional do Documentário de Santiago do Chile.

 
The sky above the Atacama Desert in Chile is so clear that it allows astronomers from all over the world to watch the stars to the furthest reaches of the universe. It is also a place where the dryness of the soil preserves human remains intact: the remains of mummies, of explorers, of miners and the skeletons of the political prisoners of the dictatorship. The astronomers peer at the cosmos looking for possible extraterrestrial life. By the feet of the stargazers, women sift through the rocks seeking signs of their relatives who have disappeared….
 
Patricio Guzmán
Between 1973 and 1979, Patricio Guzmán directed A Batalha do Chile, a trilogy about the government of Salvador Allende and its fall. The American magazine Cineaste considers it to be one of the ten best political films in the world. After the Pinochet coup, he was imprisoned for two weeks in the National stadium and threatened with execution. Afterwards he moved to Cuba, then later to Spain and France, where he continued his career as a documentary film maker. From 2006 to 2010 he made Nostalgia de la Luz (Nostalgia for the Light) and five short films on astronomy and historical memory. He is the founder and president of the Santiago do Chile International Documentary Film Festival.

 

Filmography
2010 Nostalgia de la luz
2005 Mon Jules Verne
2004 Salvador Allende
2002 Madrid
2001 Le cas Pinochet
1997 Chile, la memoria obstinada
1992 La Cruz del Sur
1987 En nombre de Dios
1979 La Batalla de Chile
1977 La Batalla de Chile: El golpe de estado
1975 La Batalla de Chile: La insurrección de la burguesía

Patricio Guzmán, Chile, France, Spain, Germany, 2010, 90’, legendas Português


Filme de Abertura / Opening Screening

48, de Susana de Sousa Dias, Portugal, 2009, 93’

Vasculhando os arquivos da PIDE, a temida polícia secreta da ditadura salazarista, a realizadora recolhe 16 fotografias de presos políticos, cuja história tenta decifrar. Correndo contra o relógio para encontrar sobreviventes, ela descobre nos relatos as explicações de parte do mistério que quer decifrar. Daí emergem as memórias das emoções conflituantes que dominavam os prisioneiros no momento da fotografia – não raro, uma das raras ocasiões em que alguns procuravam enfrentar, ainda que fosse com um olhar, os seus captores e algozes. Uma mulher lembra a sua reacção inexplicável de sorrir perante a câmara – um comportamento que a perseguiu pelo resto da vida. Por este ângulo inusitado, o filme levanta pistas para um retrato dos 48 anos da ditadura em Portugal.

Biografia  Susana Sousa Dias concluiu o Curso de Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema, a licenciatura em Arte Plásticas/Pintura na Faculdade de Belas-Artes e o Mestrado em Estética e Filosofia da Arte na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Frequentou a Escola de Música do Conservatório Nacional. Actualmente é docente na Faculdade de Belas-Artes.

Filmografia / Filmography

1998 A Golden Age: Portuguese Cinema/ 1933-1945 2000 Criminal Case 141/153/ 2005 Natureza Morta: Visages d’une Dictature

48, de Susana de Sousa Dias, Portugal, 2009, 93’

Digging through the archives of PIDE, the secret police of the Salazar dictatorship in Portugal, the director collects 16 pictures of political prisoners and tries to decipher their story. Working against time in order to find survivors, she starts to find explanations in reports. Memories then emerge of conflicting emotions that dominated the prisoners at the moment of pictures – which is not rare, but one of the rare occasions in which a few tried to confront (even if it was just with a look) their captors and executioners. A woman recalls her unexplainable reaction of smiling in front of the camera – behavior that has haunted her for her whole life. Through this unusual angle, the film encounters traces for a portrait of 48 years of dictatorship in Portugal.

Biography  Susana Sousa Dias took a course in filmmaking at the College of Theatre and Film. She then graduated in plastic art and painting from the faculty of fine arts, followed by a master’s in aesthetics and philosophy of art from the arts faculty of Lisbon University. She attended the music school of the National Conservatory and is currently teaching at the faculty of fine arts.

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