O chileno Rodrigo Gonçalves esteve em Moçambique nos anos 80, altura em que realizou vários filmes, que são um retrato do país na época.

A 6º edição do Dockanema faz uma retrospectiva da sua obra, mostrando nove trabalhos neste festival.
Amanhã, pelas 16 horas passarão três filmes no Teatro Avenida: As Crianças de Lhanguene (1989)The Road to Death (1990) e Pensar Alto (1990).

Amanhã também, dois filmes retratam a presença chinesa no nosso país, mostrando uma onda de imigração com consequências para quem cá está e quem chega.
A realizadora moçambicana Yara Costa apresenta Porquê aqui? Histórias de Chineses em África, com testemunhos chineses numa pequena aldeia no Lesoto, numa ilha isolada em Moçambique e na movimentada capital do Gana, onde centenas de imigrantes chineses em busca de uma vida melhor, chegam com a esperança de prosperar, mas que rapidamente se encontram diante de todos os tipos de obstáculos – até mesmo a morte. Três histórias de vida mostram o o maior fenómeno de imigração que o continente africano teve na última década.

Porquê aqui? Histórias de chineses em África, passará pelas 16 horas na Faculdade de Letras e Ciências Sociais, com entrada gratuita.

Por seu lado, a austríaca Ella Raidel vem com Subverses – China in Mozambique, que retrata a comunidade chinesa especificamente em Moçambique. Os protagonistas contam como África é vista como “o último mercado do mundo” e a sua cruzada como construtores de alguns dos maiores projectos urbanos do nosso país. Na primeira pessoa, mostram o outro lado destes investimentos avultados.

Subverses – China in Mozambique passará às 18 horas na Faculdade de Letras e Ciências Sociais, com entrada gratuita, sendo seguido pelo filme Grande Hotel, de Lotte Stoops.

A belga Lotte Stoops revive o presente e o passado do Grande Hotel, na Beira, um edifício que é mais uma cidade dentro da cidade. Mais do que um simples documentário sobre a história deste hotel, o filme retrata a megalomania colonial, a vaidade

revolucionária e o sentimento de estar em casa quando se partilha o mesmo espaço com mais de 2500 pessoas.

Tanto Ella Raidel como Lotte Stoops estarão presentes na projecção do filme.

Destaque também para Tambores do Mundo do realizador brasileiro Sérgio Raposo, que retrata as histórias e tradições à volta dos tambores, em seis países do mundo, Brasil, China, Catar, Portugal, Zâmbia e Moçambique. Embora o instrumento seja o mesmo, a música, religião, cultura, tradição e modernidade são retratadas nas histórias de vida de cada um dos personagens acompanhados pelas lentes deste filme. O final do filme guarda ainda uma surpresa especial, criando um diálogo cultural que aproxima os continentes.

No final da projecção, haverá um show do Grupo Cultural da Associação de Jovens de Nacala (AJN), cujo um dos percussionistas – Chaisson Meja – é o personagem principal de Moçambique.
O filme Tambores passará às 18 horas no Centro Cultural Franco-Moçambicano, com a presença de Luana Dias, coordenadora de produção do filme.

Vozes de Moçambique é o filme apresentado por Susana Guardiola e Françoise Polo dedicado à importância das mulheres no desenvolvimento diário da sociedade. Em África, as mulheres calam e trabalham em silêncio, sem voz. Neste filme, cinco vozes representam o ciclo de vida das mulheres, e a sombra de uma lenda reencarnada em todas elas: Josina Machel, a primeira heroína moçambicana que lutou pela independência e pelos direitos das mulheres.

Vozes de Moçambique será apresentado às 20 horas no teatro Avenida, com a presença de Susana Guardiola.

Da brasileira Marília Rocha, será projectado às 20 horas, no Centro Cultural Brasil- Moçambique, o filme a Falta que me Faz, sobre um grupo de meninas que vive o fim da juventude e, através de conversas, obrigações e prazeres quotidianos, encontra uma maneira particular de contornar a solidão e enfrentar as incertezas de um futuro próximo. Durante um inverno, rodeadas pela Serra do Espinhaço, um grupo de meninas passa pela nostlagia de quem se despede da juventude, e abre os braços à idade adulta, num romantismo que deixa marcas nos seus corpos e na paisagem que as rodeia.

A realizadora estará presente na projecção.