Com o fim de semana à porta, inúmeros são os filmes para ver no festival de cinema documentário Dockanema.

 Destaque para Robert Mugabe…what happened?, do realizador Simon Bright, sobre a ascensão e queda Shakespeariana do homem que dirigiu um país africano muito bem sucedido, e que depois o arruinou.

O filme explora um percurso de 30 anos, através de entrevistas com alguns dos camaradas mais próximos de Robert Mugabe e reúne uma colecção única de arquivo da África Austral para evocar de forma vigorosa cada uma das décadas do seu reinado.

Simon Bright é realizador e produtor zimbabweano, tendo produzido dois filmes de ficção seleccionados para o Festival de Cannes, o

Flame e Bintou.
Simon Bright começou a trabalhar para o Ministério da Agricultura, fazendo programas de formação de vídeo e rádio. Durante a década de 80, criou a Zimmedia juntamente com Ingrid Sinclair para fazer filmes de combate à propaganda política e militar da África do Sul. Em 1991, ganhou um prémio no Fespaco em Burkina Faso com o filme “Mbira music”.

As suas produções exploram a diversidade da cultura, história e meio ambiente africanos, com a série de drama pan-Africano, Mama África, celebrando o poder de contar histórias de seis mulheres africanas escritoras / directoras.

Robert Mugabe… what happened?

Passará no Sábado, pelas 16 horas, na Faculdade de Letras e Ciências Sociais, com legendas em inglês e entrada livre.

Sábado à noite, é tempo do Dockanema, em parceria com a Universidade Técnica de Moçambique, fazer a merecida homenagem ao cineasta Ruy Guerra. Assim, será apresentado o filme Os Fuzis, pelas 19.30, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, com entrada livre.

Filme e concerto de uma criança-soldado no Sudão

No Domingo, destaque para o filme War Child, de Christian Karim Chrobog, sobre Emamnuel Jal, um cantor de Hip Hop que conta a sua história de criança-soldado, no Sudão.

Emmanuel Jal- nasceu em Tonj, na província Bahr al-Ghazal, a sul do Sudão. O seu pai foi das Forças Populares de Libertação do Sudão SPLA. Quando a sua mãe faleceu, tinha ele sete anos de idade, o SPLA levou-o para um campo de treinos na Etiópia, onde recebeu formacao militar.

Num ataque em 1991, nos arredores de Dschuba, Emanuel Jal, com onze anos, fugiu juntamente com cerca de 400 criancas-soldados. Devido à falta de comida e água, apenas doze crianças sobreviveram a fuga de três meses aos rebeldes, na selva e, chegaram à cidade no Estado de Vaud A’li-Nil.
Emmanuel foi adoptado por Emma McCune, uma funcionária da organização “Street Kids” e ex-mulher do líder rebelde, Riek Machar.

Hoje, Emmanuel Jal é um artista mundialmente aclamado na arena musical do Hip Hop, com o seu estilo ímpar. É desta forma que conta a sua história ao mundo.

Emmanuel Jal já cantou no Live 8 e no concerto de comemoração do 90º aniversário de Nelson Mandela. Foi uma das figuras da Campanha da Amnistia Internacional do Dia Mundial do Refugiado de 2010, e esteve no baile de Alicia Keys, Keep a Child Alive Black Ball 2010.

Em 2008 foi produzido um documentario sobre a sua vida: War Child, que já ganhou 12 prestigiados prémios a nível mundial.

No Domingo, o filme passará no Centro Cultural Franco Moçambicano, pelas 18 horas, com entrada livre e legendas em inglês. Emmanuel Jal estará presente durante a projecção do filme, assim como dará um concerto no mesmo local, na segunda-feira, às 19 horas.

Vozes de mulheres sem voz

Também no Domingo, destaque para o filme Vozes de Moçambique, das realizadoras Susana Guardiola e Françoise Polo, que passará no Domingo, dia 11, no Teatro Avenida, pelas 18 horas, com legendas em português.
A projecção terá a presença de Susana Guardiola.
Vozes de Moçambique é dedicado às mulheres moçambicanas, sobretudo aquelas que lutam pelo desenvolvimento diário do seu país, mas que não têm voz. Os rostos das mulheres moçambicanas estão cheios de histórias por contar. Este filme resgata as suas vozes em cinco histórias que representam o ciclo de vida das mulheres, e a sombra de uma lenda reencarnada em todas elas: Josina Machel, a primeira heroína moçambicana que lutou pela independência e pelos direitos das mulheres.
Susana Guardiola é realizadora, roteirista e produtora. Com uma licenciatura em Comunicação e um Mestrado em documentário criativo, já trabalha há muitos anos na produção, escrita e desenvolvimento de filmes documentários de longa-metragem, com Bausan Films e Mallerich Films. Vozes de Moçambique é o primeiro documentário de longa-metragem que Susana Guardiola escreveu, dirigiu e produziu.
A sua colega, Françoise Polo Moya é realizadora e roteirista, tendo estudado história da arte em Palma de Maiorca, na Universidade de Belas Artes de Barcelona e na Escola de Cinema de Barcelona. Começou a trabalhar como produtora na Nova Televisión (Televisão Mallorca), onde produziu os programas culturais do canal.

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