Realizadora e doutoranda em Estudos Cinematográficos na Université de la Sorbonne Nouvelle – Paris 3, onde prepara uma tese sobre a representação cinematográfica da história contemporânea, sob a orientação de Philippe Dubois. Publicou o livro El Autorretrato en el Documental em 2008, na Argentina, país onde concluiu um mestrado em Cinema Documental. Realizou curtas-metragens e vídeos, apresentados em diversos festivais e exposições, como o FIDMarseille, o Berlinale Talent Campus ou a Trienal de Mármara. A sua primeira exposição individual foi inaugurada recentemente em Santander. Avó (Muidumbe), curta-metragem produzida no âmbito do Curso de Videoarte da Fundação Calouste Gulbenkian, recebeu o prémio de melhor filme na secção competitiva do Festival FUSO, em Lisboa.

Avó (Muidumbe)
Portugal, 2009, 11’

Moçambique, 1960, pouco antes da eclosão da guerra, retrato de uma família colonial. Uma sequência de material de arquivo filmada pelo avô da autora, antigo administrador colonial em Moçambique, é o ponto de partida de um documentário experimental sobre a história da descolonização portuguesa e a sua memória. Memória dupla ou desdobrada: a memória vivida e descritiva dos colonizadores (os seus textos, as suas imagens) contra a memória fabricada dos seus descendentes. O filme encena as suas memórias indirectas de Moçambique no período colonial.

Nshajo (O Jogo)
Portugal – França, 8’

Entre 1957 e 1960, o antropólogo Jorge Dias, uma das figuras maiores da etnografia colonial portuguesa e da corrente luso-tropicalista, realiza três estudos de campo no Planalto dos Macondes, no Norte de Moçambique. O material recolhido daria origem à extensa monografia Os Macondes de Moçambique (1964-70), uma das obras fundamentais da antropologia portuguesa. Em 1960, aquando da quarta expedição a Moçambique, Jorge Dias permanece durante alguns dias na residência da família da autora, no Mucojo, onde o seu avô era então administrador de posto. Nshajo (O Jogo) entrelaça o relato de um episódio prosaico da estadia de Jorge Dias no Mucojo com uma tentativa de reflexão visual sobre os limites da representação antropológica e os processos de observação empírica, comparação, imitação e aculturação. Linhas de continuidade são traçadas entre sistemas de representação e imaginários paroxísticos através da combinação de um filme antropológico apócrifo com imagens de arquivo documentais de Moçambique.

Estes filmes estão na mostra do 6ºDOCKANEMA