O cinema digital é não somente uma revolução tecnológica, mas também uma revolução mercadológica.

Encontro profissional sobre a viabilidade da implantação de uma rede de salas de cinema digital em Moçambique

16 de Setembro 2010

Hotel Rovuma

Maputo – Moçambique

(RESERVADO A CONVIDADOS)

APRESENTAÇÃO

O cinema digital tem se caracterizado pela condição de incomodar a todos. É o elefante que pretende quebrar todas as louças e todos os cristais da loja. (…) Este clima cria mitos e lendas difíceis de esclarecer porque, atingindo apenas a superficialidade das questões, fogem do facto de que as mudanças são muito mais intensas do que comummente se imagina. Não é uma simples mudança em que se retira um projector e se coloca outro. É uma profunda transformação, como já ocorreu em diversos sectores da vida quotidiana.”

Luís Gonzaga Assis de Luca

A Hora do Cinema Digital 

A indústria de cinema no mundo inteiro vem passando nos últimos anos por um momento de transição. A troca do projector em película 35 mm para a exibição digital é considerada pelos profissionais do sector algo tão importante quanto a inserção do som e da cor nos filmes no início do século XX.

Em muitos países, essa novidade tem impactado directamente a economia do sector audiovisual, aumentando as vendas nas bilheteiras e impulsionando toda a cadeia produtiva.

Presentemente, Moçambique vive uma situação bastante dramática no seu sector de difusão audiovisual. Além de uma presença maciça e quase indissolúvel da pirataria, o país que já teve cerca de 200 salas de cinema, hoje tem apenas 3 (três) funcionando regularmente e sendo operadas de forma comercial. As 3 salas pertencem ao grupo português Lusomundo que com raras excepções exibem filmes americanos de mainstream e sucessos do cinema português.

Além destas 3 salas que são operadas com os quase obsoletos projectores 35 mm, o INAC (Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema) estima que existam outros 5 mil espaços de exibição informal no país. Em áreas muito pobres, existem as chamadas “Casas de Filmes”, onde o proprietário que dispõe de um aparelho de televisão de 21’’ ligado a um aparelho de DVD, promove sessões diárias em DVD pirata e cobra ingresso a quem deseja assistir. Além desses espaços, há também exibições informais de filmes – em DVD pirateado – em universidades, centros culturais e centros comunitários.

Estima-se que os vários canais de TV existentes no país obram um universo de cerca de 3 milhões de habitantes. NB: Não existem dados estatísticos fiáveis.

 Para uma população de aproximadamente 20,4 milhões de habitantes e crescimento demográfico de 2,4% em média, os níveis de acesso a informação, educação e entretenimento que potencialmente podem ser veiculados por esses meios são extremamente limitados. O seu impacto sobre o desenvolvimento humano dos moçambicanos é limitado à divulgação de modelos e padrões socioculturais estranhos.

Não existe, nenhuma opção de sala de cinema comercial, com conteúdo variado, independente e de arte como filmes europeus, de outros continentes e inclusive africanos. Os filmes feitos em Moçambique hoje não dispõem de locais para serem exibidos comercialmente em seu próprio país, portanto não chegam até seu público primário, e consequentemente não geram receitas dentro de seu mercado.

 Visando a reestruturação e fortalecimento da indústria e do mercado de cinema em Moçambique, propomos a realização de um estudo de viabilidade para a implantação de uma rede de cinemas digitais no país. O estudo deverá abordar todos os aspectos económicos, sociais e tecnológicos envolvidos no cenário investigado pelo estudo, a fim de apresentar possíveis soluções de tecnologia e modelo de negócios condizentes com a realidade do país para a viabilização da rede que deverá impulsionar toda a sua indústria audiovisual.

 Como já aconteceu em outros países, uma rede de cinemas digitais pode proporcionar não apenas a modernização e padronização da projecção em salas de cinema, como também garantir uma maior variedade e quantidade de conteúdos audiovisuais. A revolução provocada pelo cinema digital é viabilizada graças a uma sensível redução de custos na distribuição e exibição dos filmes, o que tem ajudado a impulsionar a distribuição das produções independentes e a aumentar o número das salas de cinema no mundo todo.

 Para além dos impactos conhecidos que os conteúdos audiovisuais exercem sobre o desenvolvimento humano de uma sociedade, acreditamos estarmos perante uma oportunidade de negócio de tipo novo numa economia sustentável.

OBJECTIVOS DO ENCONTRO

  1. Divulgar em Moçambique experiências e perspectivas desenvolvidas no uso do cinema digital
  2. Analisar a situação actual do mercado de difusão em Moçambique
  3. Fornecer informações sobre o estágio de desenvolvimento tecnológico (rede de fibra óptica das Telecomunicações de Moçambique)
  4. Auscultar sensibilidades sobre a viabilidade da implementação de uma rede de cinema digital em Moçambique
  5. Esboçar perspectivas de uma economia sustentável para a actividade
  6. Divulgar o estágio actual do estudo em curso.

PARTICIPANTES

  • Especialistas do Cinema Digital de Brasil e Portugal
  • Especialistas das Telecomunicações de Moçambique
  • Instituições Financeiras
  • Governo
  • Representantes da exibição em Moçambique
  • Representantes dos parceiros da Cooperação Internacional
  • Outros convidados
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