Archives for category: PROGRAMA DE FILMES

Cartas de Angola

Dulce Fernandes, Portugal, 2011, 52’, VO Português

Cartas de Angola é uma viagem a um passado esquecido e um olhar sobre uma memória geográfica, onde duas histórias se intersectam: a história de uma portuguesa nascida em Angola nas vésperas da independência e as histórias dos cubanos que combateram na guerra em Angola. O filme, contado na primeira pessoa, é uma travessia pela Cuba de hoje e uma descoberta das histórias dos cubanos em Angola durante a guerra, através das quais se revela um passado perdido e uma ligação umbilical a uma terra distante.

Dulce Fernandes é uma realizadora portuguesa, nascida em Angola e residente em Brooklin (E.U.A.). Estudou Cinema e Fotografia no AR.CO (Lisboa), na Escola do Instituto de Arte de Chicago, na Escola Internacional de Cinema e Televisão (EICTV) em Cuba e no Downtown Community Television Center (DCTV) em Nova Iorque. Trabalhou como fotojornalista no jornal Público e como activista em questões ambientais e direitos humanos. Formada em jornalismo pela Universidade Técnica de Lisboa e em Relações Internacionais pela City University of New York.

Original Docs

Ao longo da sua ainda jovem, mas consistente existência, o Dockanema trouxe até à capital moçambicana cerca de 400 títulos internacionais. De dezenas de nações chegaram até às telas deste festival obras de variados realizadores – muitos deles artistas feitos, outros ainda em início de carreira. Nesta edição, o compromisso do festival com a realidade internacional mantém-se, apresentando uma selecção de aproximadamente 15 filmes na secção Original Docs (filmes com legendas em Inglês).

Sugestões Dockanema

L´Identité Nationale | A Identidade Nacional

Valérie Osouf, França, 2012, 82’, VO Francês / legendas Inglês

Estrangeiro e Delinquente: serão estes dois termos sinónimos?L´Identité Nationale é um filme construído em torno de palavras raramente ouvidas: a de ex-prisioneiros estrangeiros que foram condenados à deportação após serem presos. Uma reflexão sobre os fundamentos da actual identidade francesa.

Graduada em História, a francesa Valérie Osouf é jornalista e realizadora de cinema documental e de ficção. Dirigiu vários documentários, destacando-se com o filme “Camarões: autópsia de uma independência”, que lhe valeu o Prémio Público, no Festival de Cinema Internacional de História, de Pessac. 

Janela Aberta

Enquanto festival moçambicano, o Dockanema privilegia a língua portuguesa nas escolhas que compõem a sua programação de filmes. Por esta razão, e atendendo ao facto de Moçambique ter assumido recentemente a Presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nesta 7.ª edição foram escolhidas cerca de 20 produções provenientes de países desta comunidade, disponíveis na secção Janela Aberta (filmes falados ou com legendas em Português).

Sugestões Dockanema

Mulheres Africanas – A Rede InvisívelEstreia Mundial

 

Filma que trata da questão da mulher africana a partir do depoimento de cinco ícones do continente: Nadine Gordimer, escritora sul-africana e Nobel (1991) de Literatura; Graça Machel, moçambicana, activista de direitos humanos e de educação, ex-esposa de Samora Machel e atual esposa de Nelson Mandela; Sara Masasi, líder empresarial da Tanzânia; Luísa Diogo, ex-primeira-ministra de Moçambique; Leymah Gbowee, activista política da Libéria, Nobel da Paz (2011). Dirigido por Carlos Nascimbeni e produzido por Mónica Monteiro, da Cinevideo – produtora que se vem especializando em produções africanas.

Carlos Nascimbeni é formado em cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Dirigiu e roteirizou as curtas “Esquesitamente Familiar”, “Um Musical” e “7 Lições para se aprender com as crianças, os loucos e os ladrões”, as média-metragens “Negritude” e “O Povo Deserto, e a longa ‘Made In Brazil”, pela qual recebeu o prémio Governador do Estado de melhor roteiro, em 1984. Foi produtor executivo delegado do longa “O Martelo de Vulcano”, uma realização Warner Bros, Moonshot Pictures e TV Cultura, em 2003.

Para dowload do catálogo clique aqui

Realizadora e doutoranda em Estudos Cinematográficos na Université de la Sorbonne Nouvelle – Paris 3, onde prepara uma tese sobre a representação cinematográfica da história contemporânea, sob a orientação de Philippe Dubois. Publicou o livro El Autorretrato en el Documental em 2008, na Argentina, país onde concluiu um mestrado em Cinema Documental. Realizou curtas-metragens e vídeos, apresentados em diversos festivais e exposições, como o FIDMarseille, o Berlinale Talent Campus ou a Trienal de Mármara. A sua primeira exposição individual foi inaugurada recentemente em Santander. Avó (Muidumbe), curta-metragem produzida no âmbito do Curso de Videoarte da Fundação Calouste Gulbenkian, recebeu o prémio de melhor filme na secção competitiva do Festival FUSO, em Lisboa.

Avó (Muidumbe)
Portugal, 2009, 11’

Moçambique, 1960, pouco antes da eclosão da guerra, retrato de uma família colonial. Uma sequência de material de arquivo filmada pelo avô da autora, antigo administrador colonial em Moçambique, é o ponto de partida de um documentário experimental sobre a história da descolonização portuguesa e a sua memória. Memória dupla ou desdobrada: a memória vivida e descritiva dos colonizadores (os seus textos, as suas imagens) contra a memória fabricada dos seus descendentes. O filme encena as suas memórias indirectas de Moçambique no período colonial.

Nshajo (O Jogo)
Portugal – França, 8’

Entre 1957 e 1960, o antropólogo Jorge Dias, uma das figuras maiores da etnografia colonial portuguesa e da corrente luso-tropicalista, realiza três estudos de campo no Planalto dos Macondes, no Norte de Moçambique. O material recolhido daria origem à extensa monografia Os Macondes de Moçambique (1964-70), uma das obras fundamentais da antropologia portuguesa. Em 1960, aquando da quarta expedição a Moçambique, Jorge Dias permanece durante alguns dias na residência da família da autora, no Mucojo, onde o seu avô era então administrador de posto. Nshajo (O Jogo) entrelaça o relato de um episódio prosaico da estadia de Jorge Dias no Mucojo com uma tentativa de reflexão visual sobre os limites da representação antropológica e os processos de observação empírica, comparação, imitação e aculturação. Linhas de continuidade são traçadas entre sistemas de representação e imaginários paroxísticos através da combinação de um filme antropológico apócrifo com imagens de arquivo documentais de Moçambique.

Estes filmes estão na mostra do 6ºDOCKANEMA

Miguel e Ruben são descendentes de imigrantes Cabo Verdianos que vivem em Portugal sem documentação, divididos entre a vontade de serem portugueses de pleno direito e as barreiras que encontram no seu dia-a-dia. Com um orgulho estóico, sonham com o futuro deixando transparecer as suas aspirações por uma vida melhor. Acima de tudo, Miguel e Ruben levam-nos a uma interrogação: qual é a identidade do apátrida?

Miguel Moreira and Ruben Furtado are two Cape Verdean immigrant descendants living undocumented in Portugal, torn between the desire to be a full Portuguese citizen and the obstacles they find in their day to day lives. Proud of being who they are they keep on dreaming of their future reflecting their wishes for a better life. Above all, Michael and Ruben lead us to one question: What kind of identity has a stateless person? 

Filipa Reis e João Miller Guerra e Nuno Baptista, Portugal, 2010, 65’.

Este filme está na mostra do 6ºDOCKANEMA, com a presença do realizador

Sobreviventes de 30 anos de guerra no Cambodja, fazem parte dos 380.000 refugiados repatriados em 1992 dos campos da fronteira tailandesa e instalados numa aldeia construida pela Nações Unidas. Como reconstruir uma sociedade unida após isso ? “Os que ficaram” viram chegar com desconfianca estas familias, apos 13 anos de exílio, como uma ameaça para suas terras e equilíbrio. Chamaram-lhes “os perdidos “, nome que portam até hoje. Num mundo que conta hoje cerca de 26 milhões de deslocados, eles tentam à sua maneira de sobreviver e de reinserir-se ,pensando no futuro dos seus filhos. Este filme é uma homenagem à sua determinação.

Christine Bouteiller
Inicialmente montadora, realizou seu primeiro filme em 2001. La Lune à l’envers: 14/18 Les derniers témoins (2001); Femmes de l’Ombre (2002); Les Crimes de la Belle Epoque (2003) são alguns dos filmes que realiza. Les Egarés é seu ultimo filme documentário, fruto de uma longa reflexão sobre a história e o futuro dos antigos refugiados e sobre a sociedade cambodjana hoje.

 
The survivors of 30 years of war in Cambodia are among the 380,000 refugees repatriated in 1992 from the camps on the Thai border and settled in a village built by the United Nations. How is it possible to rebuild a united society after such an experience? “Those who stayed behind” viewed with distrust the arrival of these families as a threat to their land and their equilibrium, after 13 years of exile. They were called “the lost ones “, a name they carry to this day. In a world where today there are some 26 million displaced people, they try in their own way to survive and to re-integrate themselves, thinking of the future of their children. This film pays homage to their determination.

Christine Bouteiller
Christine Bouteiller is 35 years of age. She started out as an editor then directed her first film in 2001. La Lune à l’envers: 14/18 Les derniers témoins (2001); Femmes de l’Ombre (2002); les Crimes de la Belle Epoque (2003) are some of the films that she has directed. Les Egarés is her latest documentary, resulting from a lengthy reflection on the history and the future of the former refugees and on Cambodian society today.

 
Christine Bouteiller, França / Cambogia, 2010, 58’.
Este filme está na mostra do 6ºDOCKANEMA, com a presença do realizador

Em 2003, nas vésperas da guerra do Iraque, a cineasta embarcou numa viagem para entender melhor um mundo cada vez mais envolvido em conflito e caminhando para a sua auto-destruição. Viajando pelos cinco continentes, Iara encontrou um número crescente de pessoas que dedicam as suas vidas a promover a mudança. Do Irão, onde o grafite e o “rap” se tornaram instrumentos na luta contra a repressão do governo, passando pelo Brasil, onde os músicos se aproximam das crianças das favelas e transformam armas em guitarras, ate os campos de refugiados palestinos no Líbano, onde a fotografia, a música e o cinema deram voz àqueles que raramente são ouvidos, o filme explora como a arte e a criatividade podem ser munição na batalha pela paz e justiça.

Iara Lee
Iara Lee, brasileira de ascendência coreana, é uma cineasta activista e fundadora da Fundação Caipirinha, que apoia projectos para garantir a paz com justiça. Iara está actualmente a trabalhar numa série de iniciativas, agrupadas sob o “guarda-chuva” de “Culturas de resistência”, uma rede de activistas, que reúne artistas e fazedores de mudança de todo o mundo. De 1984 a 1989, foi a produtora do Festival de Cinema Internacional de São Paulo.

 

In 2003, on the eve of the Iraq war, the filmmaker embarked on a journey to better understand a world increasingly embroiled in conflict and, heading for self-destruction. Traveling over five continents, Iara encountered growing numbers of people who committed their lives to promoting change. From Iran, where graffiti and rap became tools in fighting government repression, moving on to Brazil, where musicians reach out to slum kids and transform guns into guitars, and ending in Palestinian refugee camps in Lebanon, where photography, music, and film have given a voice to those rarely heard, the movie explores how art and creativity can be ammunition in the battle for peace and justice.

 

 Iara Lee

 

Iara Lee, a Brazilian of Korean descent, is an activist, filmmaker, and founder of the Caipirinha Foundation, which supports projects to secure peace with justice. Iara is currently working on a variety of initiatives, grouped under the umbrella of Cultures of resistance, an activist network that brings together artists and changemakers from around the world. From 1984 to 1989 Iara was the producer of the São Paulo International Film Festival.

Iara Lee, 2011, EUA, 73’, legendas em Inglês

 

Este filme está na mostra do 6ºDOCKANEMA


 

 

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